Diferentes formas de noticiar algo

Michelle Caçapava Vigueles

Provavelmente você já deve ter assistido ou lido a uma noticia que depois em outro veículo ou mídia lhe pareceu totalmente diferente. E pode até ter pensado “Já vi isso em algum lugar”.

Pois bem! Cada jornalista, emissora, rádio, jornal ou revista tem um estilo, manipulado ou não, fazendo até com que muitas vezes haja distorção dos fatos e confunda os espectadores.

Há tempos circulou na internet, um dos meios de comunicação mais eficazes pela rapidez da propagação e pelo número de pessoas que atinge, um e-mail retratando os diferentes focos de uma mesma notícia, de acordo com determinados interesses e formatos.

Isso nos mostra de uma forma simplificada como uma notícia pode ser dada de diversas maneiras. Criatividade é o que não falta.

E Fayga Ostrower já dizia em Criatividade e Processos de Criação que “Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo de atividade, trata-se, nesse “novo”, de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos”.

Veja abaixo a história da Chapeuzinho Vermelho contada de formas bastante singulares.

Jornal Nacional

(William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem…’

(Fátima Bernardes): ‘…mas a atuação de um lenhador evitou a tragédia.’
Programa da Hebe

‘…que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?’
Cidade Alerta

(Datena): ‘…onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!
Superpop

(Luciana Gimenez): ‘Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!’
Globo Repórter

(Chamada do programa): ‘Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente? O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta. E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter.’
Discovery Channel

Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.
Revista Veja

Lula sabia das intenções do Lobo.
Revista Cláudia

Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
Revista Nova

Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama!
Revista Isto É

Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
Revista Playboy

(Ensaio fotográfico do mês seguinte): ‘ Veja o que só o lobo viu’.
Revista Vip

As 100 mais sexies – desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!
Revista G Magazine

(Ensaio com o lenhador) ‘O lenhador mostra o machado’.
Revista Caras

(Ensaio fotográfico com a Chapeuzinho na semana seguinte): Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: ‘Até ser devorada, eu não dava valor pra muitas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa.’
Revista Superinteressante

Lobo Mau: mito ou verdade?
Revista Tititi

Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio.
Folha de São Paulo

Legenda da foto: ‘Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador’. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O Estado de São Paulo

Lobo que devorou menina seria filiado ao PT.
O Globo

Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor de idade carente.
O Dia

Lenhador desempregado tem dia de herói
Extra

Promoção do mês: junte 20 selos mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho!
Meia hora

Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco!

O Povo

Sangue e tragédia na casa da vovó.

Correio da Bahia e TV Bahia

Menina usando um chapeuzinho vermelho é atacada por um lobo e não consegue atendimento em nenhum hospital do Estado. Governador Wagner não se manifesta.

Flash Mob

Michelle Caçapava Vigueles

Engraçado como existem tantos termos pelo mundo e alguns que nunca havia sequer escutado. Flash Mob! Caramba! O que será isso? Pensei.

Certamente por não ser da área de comunicação, jornalismo, sistemas de informação, ciência da computação, etc. alguns conhecimentos ficam retidos em profissionais que lidam dia a dia com essas questões, principalmente ligadas à internet e o que se publica nela, mas nada que a curiosidade não nos faça pelo menos ter uma idéia do que seja e de poder apresentar um pouquinho do assunto aqui.

Wikipedia traduz Flash Mob como “aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social”.

Recentemente, a banda Black Eyed Peas e um grupo de mais de 20.000 pessoas surpreenderam Oprah Winfrey quando apresentaram o hit do momento “I Gotta Felling” na abertura da nova temporada do programa da apresentadora dos EUA.

800 fãs foram chamados para aprender a coreografia criada por William James Addams Jr., integrante da banda, e apresentar no dia. Esses 800 repassaram para mais de 20.000 pessoas, que se tornou a maior ação de Flash Mob conhecida até hoje.

Confira no vídeo abaixo.

A coitada da Uniban

Pode haver constrangimento maior do que ser expulsa da faculdade por conta de um vestido curto? Pior: com todos os alunos a xingando nos corredores? Muito medieval pra você?  Pois neste caso que está nos jornais de hoje, a menina conhecida pelo nome fictício Michele Vedras só conseguiu atravessar a barreira de agressores com a escolta de policiais empunhando sprays de pimenta. É um problema comum de quem mora em São Paulo, sair de casa sem poder voltar pra trocar de roupa a cada compromisso. Com o mesmo vestido que iria em uma festa à noite, andou de ônibus e foi assistir a aula antes. Pela foto publicada na “Folha de S.Paulo”, a peça parecia mesmo fora de propósito: um vestido rosa manga-morcego com punho na barra curstíssima. Não importa: nada justificiaria tamanha manifestação. Queiram manifestar contra os códigos do vestir contemporâneo no Brasil e apresentaremos uma lista de itens muito mais proibitivos. Do ponto de vista da moda, por mais críticos que possam parecer seus valores, cada um usa o que bem entender.

Reality Show

Michelle Caçapava Vigueles

Bertheld (2000) e Brandão (2001) discorreram sobre a necessidade do ser humano de representar seus dramas pessoais, conflitos existenciais e vidas cotidianas, como na era da antiguidade os teatros gregos já o faziam, conduzindo as tragédias em espetáculos e admiradas por milhares de pessoas.

Nos dias de hoje, pode-se dizer que essa encenação ganhou vida e mais adeptos por conta da massificação dos programas apresentados com a finalidade máxima da necessidade do ser humano – espiar e ser espiado.

A tecnologia cada vez mais proporciona essa possibilidade por meio do rádio, televisão e internet. Com altas velocidades e informações instantâneas, os aspirantes a celebridade conseguem um espaço em alguma mídia e podem celebrar seus, talvez, quinze minutos de fama.

Apesar das origens dos reality shows serem consideradas por meio do rádio e televisão nos anos 50, 60 e 70, o primeiro reality show no formato conhecido pelo mundo de hoje foi a série An American Family em 1973 nos EUA.

A série ficou famosa por lidar com divórcio em uma família nuclear, e ainda, pela revelação de que um dos filhos, Lance Loud, era homossexual. Vários shows na Inglaterra e Austrália usaram a mesma trama.

No Brasil, os reality shows começaram a aparecer nos anos 2000. No Limite, Casa dos Artistas e Big Brother foram os pioneiros, porém, o público parece ter tido mais aceitação com o formato do Big Brother, onde pessoas desconhecidas ficam confinadas e vigiadas durante 24 horas por dia. Pode-se traduzir Big Brother como sendo a espetacularização das práticas sociais, onde o ator se confunde com o espectador, desempenhando papéis semelhantes, mas separados pela tela da máquina (MUNIZ et. al., 2002).

John de Mol, um executivo da TV Holandesa, inspirado pelo livro de George Orwell, “1984”, criou o Big Brother, em 1999 que, desde então, espalhou-se pelo mundo em diversas edições. D

e acordo com o blog da abril, algumas curiosidades no Big Brother espalhado pelo mundo:

  • Existem 45 versões do Big Brothers pelo mundo. A maioria deles são edições nacionais, mas alguns agregam vários países, como os da África, dos Bálcãs, Pacífico e Escandinávia. O primeiro Big Brother foi ao ar em 1999, na Holanda.
  • O Brasil é um dos países em que o Big Brother teve mais temporadas. Mas não chega nem perto do Reino Unido. Incluindo a versão original e os especiais, foram exibidas 18 edições do Big Brother. Além de nove temporadas do programa, também foram produzidos o “Celebrity Big Brother” (só com famosos), o “Teen Big Brother” (com jovens de 18 anos), “Big Brother: Celebrity Hijack” (a cada dia um participante comanda o programa) e “Big Brother Panto” (reunindo ex-BBs para produzir um musical).
  • Nos Estados Unidos, o prêmio é de 500 mil dólares. Na Inglaterra, de 100 mil libras (145 mil dólares). Em 2001, o prêmio do BB Austrália foi de 1 milhão de dólares australianos (650 mil dólares americanos). Porém, com o tempo o prêmio foi diminuindo e, em 2008, foi de apenas 250 mil (165 mil dólares). Na Argentina o prêmio também diminui. Nas duas primeiras edições foi de 200 mil pesos (70 mil dólares) e depois virou 100 mil pesos (30 mil dólares).
  • Não é só no Brasil que já rolou sexo embaixo do edredom. Nos Estados Unidos, por exemplo, vários casais não tiveram pudores na casa – na nona edição do BB americano, Ollie e April fizeram sexo já na primeira semana e depois repetiram as cenas por várias vezes. No BB Dinamarca a coisa foi além. Em 2003, a confinada Sissel engravidou de Robert ainda na casa.
  • No Brasil a galera vive preocupada em não mostrar nada. Mas, na Europa, a coisa é mais liberal. Topless é até coisa corriqueira. Na versão britânica, por exemplo, Mario ensaboou Lisa, sem sutiã e com a calcinha abaixada.
  • Um escândalo atingiu o Big Brother Austrália em 2006. No meio da noite, um dos confinados segurou uma colega, enquanto o outro bateu no rosto da garota com o pênis. No dia seguinte, Ashley e John foram expulsos do programa.
  • A segunda edição do Big Brother África teve um escândalo sexual ainda pior. Depois de muita bebida, duas sisters passaram tão mal que tiveram de ser carregadas para o quarto. Também bêbado, um confinado deitou no meio das duas, tirou a roupa delas, começou a acariciá-las e penetrou a vagina de uma das garotas com o dedo. A transmissão ao vivo foi cortada e médicos foram enviados para cuidar das confinadas. Mesmo assim, o brother Richard não foi expulso e ainda venceu o programa. Grupos de direitos das mulheres protestaram e até tentaram cancelar o BBA, sem sucesso.
  • O Big Brother Arábia causou muito polêmica. Exibido em países muçulmanos, a casa era divida. Havia quartos, banheiro e salas de oração separados para homens e mulheres, que só podiam se encontrar no jardim e na cozinha. Cinco vezes por dia o alarme soava para que os confinados fizessem suas orações. Mesmo assim, houve muitos protestos quando um dos homens conseguiu se infiltrar no lado feminino e o programa foi cancelado depois de 11 dias no ar.
  • No segundo Big Brother americano uma ameaça de morte desclassificou um participante. Justin pegou uma faca, encostou no pescoço de uma colega e perguntou: “você ficaria brava se eu te matasse agora?”. O malucão foi tirado da casa na mesma hora.
  • No BBB, se um participante agredir outro fisicamente é imediatamente expulso do programa. Porém, na Europa Oriental, a porrada come solta. Nos Big Brothers da Rússia e Bulgária, por exemplo, os brothers trocaram socos e pontapés.

Marion Minerbo, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, conta que a longevidade do formato se deve ao fato da contínua promessa dos quinze minutos de fama. A vontade de espiar, curiosidade de bisbilhotar, portanto, viria da impressão de que é possível sair do anonimato para a fama em uma sociedade onde “quem não aparece não existe”. “Hoje, há programas para todo gosto, e o reality show é a forma de lazer mais compatível com a subjetividade contemporânea”, diz Marion.

“Você quer mesmo é invadir a TV como os assaltantes invadem uma casa. Você quer ver o que acontece no mundo dos que amam, dos que consomem, dos que existem. Você quer ’ver’; não sabe bem o quê ainda, mas quer ver o que te escondem, ver algo que te é negado. Você quer estar onde tem tudo: iogurte, carro do ano, cerveja com mulher boa, carros sport, luxo no shopping virtual da tela, você quer morar lá dentro como uma rosa púrpura do Cairo” (JABOR, 2002).

Alguns dos formatos conhecidos são:

  • Aventura – Survivor, No Limite
  • Confinamento – Big Brother, A Fazenda
  • Música – American Idol, ídolos
  • Deslocamento – The Amazing Race, A Corrida Milionária
  • Relacionamentos – The Bachelor, Acorrentados
  • Moda – America’s Next Top Model, Brazil’s Next Top Model, Runaway Project
  • Emprego – The Apprentice, O Aprendiz, Top Chef
  • Transformação – The Biggest Loser, O Grande Perdedor, The Swan, Dr. Hollywood
  • Troca – Trading Spouses, Troca de Família
  • Dança – So You Think You Can Dance

Entre os inúmeros tipos e formatos de reality show, está para “sair do papel” um novo projeto da produtora Endemol, mesma do Big Brother, chamado “The Big Donor Show”. A proposta é de uma senhora de 37 anos, em estado terminal, que decidirá qual dos participantes do programa receberá seus rins. Os espectadores poderão enviar seus conselhos via internet e celular. Apesar de muita gente contra esse tipo de programa, a produtora justifica que o objetivo disso tudo é mostrar a realidade ao país, principalmente da falta de doadores de órgãos.

A grande questão agora é: será que um programa um tanto quanto bizarro atrairá a curiosidade das pessoas? E você? Vai assistir?

O fim da revista Gourmet e outras três revistas

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Por Bruna Menegueço

Quatro revistas a menos nas bancas americanas e 180 empregos eliminados na redação da Condé Nast. A editora anunciou esta semana que deixará de publicar a Gourmet, de gastronomia; a Cookie, destinada a pais; e a Elegant Bride e Modern Bride, às noivas. A decisão foi tomada após um estudo feito pela consultoria McKinsey & Company que além disso, também sugeriu um corte de verba de 25% para diversas revistas da editora. Das perdas, acredita-se que a que mais deixará leitores saudosos é a Gourmet – a publicação representa para a gastronomia o que a Vogue representa para a moda.

Desde 1941, suas páginas traziam informações sobre culinária e viagens; mas sua história será encerrada na edição de novembro. A Gourmet costumava gastar rios de dinheiro com fotografias suntuosas, cozinhas para testar as receitas e viagens exóticas; era uma revista que tinha os ricos como personagens e leitores.

Gourmet x Bon Appétit

É provável que empresa continue com a revista de receitas Bon Appétit. As duas publicações têm focos editoriais diferentes: enquanto uma capa da Bon Appétit elencava os melhores cachorros-quentes dos EUA, um artigo da Gourmet mostrava como críticos gastronômicos gastam US$ 1.000 em suas cidades. “Trabalhar para a Gourmet era como voar na primeira classe. As sessões de fotografia eram organizadas como cenas de filmes hollywoodianos”, diz Jay Rayner [The Guardian, 5/10/09]. Segundo Rayner, metade de um andar do prédio da Condé Nast, na Times Square, em Nova York, era reservado para a cozinha na qual as receitas eram testadas.

O fim da Gourmet reflete uma mudança tanto dentro quanto fora da empresa: a influência e o poder de compra estão agora com a classe média. Os anúncios em revistas luxuosas caíram drasticamente, enquanto supermercados compram espaço publicitário em revistas mais acessíveis. Segundo a Media Industry Newsletter, a Condé Nast perdeu oito mil páginas de anúncios nas edições de outubro de suas revistas, em comparação ao mesmo período do ano passado – a Gourmet foi a mais atingida, com perda de 43%.

As quatro revistas fechadas pela Condé Nast podem ter futuro em outros meios. A Gourmet pode render bons livros, programas ou negócios na web. Mas não foi revelado o que acontecerá com elas.

No Brasil, o mercado de revistas não é dos melhores, mas aqui é possível garantir boa parte dos lucros com a venda em bancas e assinaturas. Nos EUA, isso não acontece. Lá, é possível comprar um exemplar por apenas US$ 2 e fazer uma assinatura bianual por US$ 10. No segundo ano, você ainda pode indicar uma amiga para receber a revista em casa sem pagar nada por isso. Por um lado, perdemos para o incentivo à leitura, já que não são todos que podem pagar R$ 10 cada exemplar e mais de R$ 150 pela assinatura anual, mas garantimos a vida dos impressos por mais tempo. Se bem que para mim, o prazer de folhear uma revista e ler um jornal todos os dias nunca acabará.

Para mais informações, leia a matéria completa no site do New York Times. Acesse: www.nytimes.com (em inglês).

Mídia e Poder no Masp

Sara Campos

Em um passeio clichê, fui conferir as novas exposições de um dos museus mais importantes do país, fundado pelo paraibano Assis Chateaubriant. Uma delas me chamou bastante atenção: Yang Shaobin no Brasil: Primeiros passos, Últimas palavras. Tenho o hábito de ler o texto redigido pelo curador antes de observar as obras do artista. Entre o emaranhado de palavras, encontro as mais apropriadas para que eu fizesse meu primeiro post nesse blog: ” Mídia e Poder”. Como má jornalista que sou, infelizmente não dispunha de um bloco de anotações para escrever o contexto em que essas duas palavras-chave estavam inseridas.

Yang Shaobin é um dos primeiros artistas chineses a conquistar espaço no Ocidente. Sua obra chama atenção pela dramaticidade e a curiosidade que causa aos espectadores. A primeira tela, logo na entrada da exposição, é de uma expressividade tão marcante que fiquei um pouco atônita. É uma agressividade necessária, que me induziu à reflexão. A obra do artista mostra sua percepção sobre as tensões sociais e políticas de vários países. Um bom exemplo é uma obra inspirada em uma imagem do ex -ditador Fidel Castro pela rede americana CNN. Em uma determinada área da exposição, há um conjunto de 11 telas que mais parecem reproduções de imagens de televisão. As pinceladas do artista me remeteram ao movimento constante das imagens e a inclusão dos “rodapés” de noticiários internacionais na composição da tela tornam a obra “jornalística” ou “realística”.

Apesar de não ser uma sumidade quando o assunto é arte, nunca tinha visto obras tão pragmáticas e que fizessem uma crítica tão explícita às relações de mídia e poder.

Clique aqui para saber mais sobre a exposição

Obama, agora sim, presidente

Aline Rocha

O Saturday Night Live, tradicional programa de humor americano, que ganhou destaque no ano passado pelo apoio à candidatura de Obama e as magníficas personificações de Sarah Palin por Tina Fey, estreou sua trigésima quinta temporada na semana retrasada. Mesmo ainda fraca, pegando “no tranco”, no sábado, dia 3, em seu segundo episódio – com participações do canadense Ryan Reynolds e a enlouquecida Lady Gaga – um quadro se destacou dos demais.

Fred Armisen – que “atua” como Barack Obama, foi responsável pelo sketch de abertura da nova temporada que parece ter dado a largada a um período de críticas ao antes idolatrado Obama. O programa brinca com o fato do presidente a ser taxado de socialista, algo que, segundo o programa, não tem sentido pois, até agora, ele não fez……….. NOTHING….Nada.

Assista:

Pior que, pra comprovar, o site Politifacts (Leia mais), checou cada uma das promessas, e elas não parecem ajudar muito o presidente americano. É, Obama, agora seu mandato começou.

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Decifrando Robert Capa

A-morte-do-soldado-legalista

Aline Rocha

Você conhece esta imagem?

Esta foto é conhecida como “A Morte do Soldado Legalista”, ou “Falling Soldier” e seu autor é Robert Capa, um dos mais famosos fotógrafos de guerra da história. Nascido Endre Erno Friedmann; ele e sua companheira, Gerta Pohorylle, ambos judeus comunistas exilados, adotaram codinomes para ter mais chances no mundo da fotografia (digamos que foi, no mínimo, uma decisão acertada) . Ele virou Robert Capa, e ela, Gerda Taro, a primeira mulher a pisar num front com a câmera na mão.

Capa esteve presente nos maiores conflitos do começo do século XX: a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Sino-Japonesa, a Segunda Guerra Mundial na Europa (em Londres, na Itália, a Batalha da Normandia em Omaha Beach, e a liberação de Paris), no Norte da África, a Guerra árabe-israelense de 1948 e a Primeira Guerra da Indochina.

Foi na Guerra Civil Espanhola que o fotógrafo registrou esta cena. “A Morte do Soldado Legalista” gera polêmica por ser considerada “posada” por alguns críticos que acreditam que Capa não registrou um momento espontâneo, e sim, o forjou. Como a polêmica é grande, não dá pra resolver esta questão neste post, mas Capa é reconhecido por redefinir o fotojornalismo de guerra ao ir literalmente às trincheiras ao invés de se manter distante como era feito até então. Sua frase mais famosa é “Se sua foto não é boa o suficiente, você não está perto o suficiente”. O fotógrafo foi, junto com Bresson, o criador da Agência Magnum de fotografia.

A vida de Capa será finalmente trazida às telas por Michael Mann, reconhecido diretor americano de um newspaper movie já considerado clássico: O Informante (The Insider, 1999). Mann se baseará na biografia lançada por Susana Fortes, Waiting for Robert Capa, mas será que trará à tona a polêmica da foto acusada de ser “montada”? Mann pode certamente trazer uma dose de complexidade ao personagem de Capa que muitas vezes se perde nas biopics americanas e abordar o assunto. Seria interessante trazer essas camadas a um gênero do cinema – o newspaper movies – que traz sempre personagens tão simplificados por clichés, o desprovendo de seus dados controversos em prol do heroísmo a qualquer custo.  Duvidar da integridade do fotógrafo me parece um tanto absurdo, mas acredito que o mesmo não precisa dessa condescendência e a polêmica deve ser abordada. Capa morreu ao pisar numa mina terrestre na Guerra da Indochina: ele foi encontrado à beira da morte, com as pernas em frangalhos – mas com a câmera ainda em suas mãos.

Capa, por Gerda Taro, em 1937

Capa, por Gerda Taro, em 1937

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Celebridade dos Internautas ou um Internauta Celebridade?

Michelle Caçapava Vigueles

Você já se deparou com o vídeo de um cara fazendo uma dancinha esquisita ao redor do mundo?

Se a resposta foi negativa, então aproveite para viajar a lugares que talvez nunca tenha ouvido falar com apenas um clique e conhecer um pouco mais da história desse personagem que se tornou sensação mundial da internet, e ainda ver a proporção que as coisas podem tomar quando a mídia literalmente te “joga pra cima”.

Matt Harding foi somente mais uma das milhões de pessoas que ficaram famosas pelos inúmeros acessos de seus vídeos no YouTube, site revelador de talentos, ou não.

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Cansado da vida de designer de games, o americano de Connecticut decidiu abandonar o emprego na Austrália em 2003 e viajar por um tempo com o dinheiro que havia poupado.

Enquanto produziam um vídeo no Vietnam, seu companheiro de viagem sugeriu que incluísse uma dança bastante peculiar que Matt fazia e já era conhecida pelos amigos e parentes.  E assim fizeram em muitos outros países que passaram.

Matt postou os diversos vídeos na internet, numa página criada inicialmente para a família e amigos, mas alguns anos depois de os ter editado em um único vídeo,  espalhou-se como um “vírus” por meio dos e-mails e sites relacionados.

Em 2006, Matt fez uma nova versão, com a mesma dança, que ele mesmo julga ser ruim, adicionando diferentes países, só que desta vez, patrocinado por uma empresa fabricante de gomas de mascar – Stride Gum.

A empresa descobriu Matt pelos milhares de acessos aos seus vídeos postados na internet e resolveu bancar uma viagem de seis meses com mais de 30 países no itinerário. Mas isso não foi suficiente para o tornar famoso…foi então que em 2007, Matt apresentou à mesma empresa uma nova idéia: convidar as pessoas dos países em que passavam a fazer parte do vídeo. Matt recebia e-mails do mundo inteiro e pensou que pudesse ser interessante divulgar data, horário e local de onde estaria para que os interessados dançassem com ele.

A empresa achou fantástica a idéia de Matt e patrocinou mais uma viagem ao redor do mundo. Participaram ao todo 2387 pessoas distribuídas em mais de 60 países.

Desde a fama adquirida na internet, Matt ministra palestras e faz aparições em programas como “Good Morning America”.

E seus vídeos???  Fazem sucesso não só na internet, como também já apareceram em shows de televisão e até no site da NASA.

Leia mais em http://www.wherethehellismatt.com/videos.shtml?fbid=itG6hewHqy6

SORRIA! Você está sendo vigiado

Aline Rocha

“Somebody help me, I’m being spontaneous!” (Truman Burbank)

 

Podemos achar que o poder da mídia televisiva potencializada pelos reality shows  traz efeitos alienadores. Shows que pretendem mostrar a vida real através de câmeras escondYou are being watchedidas, mas que, na verdade, transmitem uma  ”realidade”   cuidadosamente costurada numa rede de manipulação de contratos e promessas de estrelato aos participantes. Tudo em prol de uma inofensiva diversão para o público. Porém, os efeitos da reality TV podem se mostrar um pouco mais assustadores que a teia de votos, paredões e participantes “polêmicos” que inundam a mídia.

Para ilustrar e aprofundar um pouco mais nosso estudo de mídia e poder, é interessante falar de um comportamente rotulado pelos psiquiatras de “A Síndrome Truman”:  assim como o personagem de Jim Carrey, surgiram casos ao redor do mundo de pessoas que se sentiam protagonistas de intrincados reality shows.

Joel Gold, diretor de psiquiatria do hospital Bellevue Hospital Center nomeou este tipo de esquizofrenia após encontrar cinco pacientes que achavam que suas vidas estavam sendo espionadas 24 horas por dia. O número só cresce desde então. Um deles viajou a Nova York para ver se as Torres Gêmeas realmente teriam caído ou tudo seria parte de uma mudança no roteiro do show planejado para ele.

Seria a esquizofrenia vestindo-se de século XXI ou um mórbido sintoma do alcance da mídia contemporânea?

 

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